História Alternativa - O "E Se...?" na Ficção popular

   
                             

A História Alternativa é um tipo de ficção em cuja acção decorre em universos onde a história divergiu da história mundial tal como a conhecemos.
Pode ser vista como um sub-género da ficção literária, ficção científica e ficção histórica.
   A literatura de história alternativa  parte de uma premissa muito simples: faz a seguinte pergunta "o que aconteceria se a história tivesse decorrido de maneira diferente?", a maioria das obras deste género são baseadas em acontecimentos históricos reais, embora os aspectos sociais, políticos, económicos se tenham desenvolvido de maneira diferente. Na maior parte das vezes os acontecimentos divergem no passado e fazem com que a sociedade se desenvolva de maneira distinta da nossa. Alguns géneros de ficção foram confundidos com histórias alternativas. Na ficção cientifica, por exemplo, "2001: Odisseia no Espaço" de Arthur C. Clarke ou "1984" de George Orwell, foram situados naquilo que seria o futuro, mas que agora é passado, não devem ser consideradas histórias alternativas porque os autores não fizeram nenhuma alteração ao passado.
A referência mais antiga a uma história alternativa
   O mais antigo exemplo de história alternativa registado  é o  Livro IX, secções 17-19 de "Ab Urbe condita" de Tito Lívio, historiador romano, que contempla um século IV a.C. alternativo onde Alexandre, o Grande expande o seu Império para o ocidente em vez do oriente. Tito Lívio pergunta "O que poderia ter acontecido a Roma se esta se envolvesse numa guerra com Alexandre?". Já em 1490 o romance épico de Joanot Martorell "Tirant lo Blanc", numa altura em que a perda de Constantinopla para os Turcos (1453) ainda se revelava traumática para a europa, conta a história de Tyrant , o Branco, um cavaleiro britânico que parte para a capital do que resta do  Império Bizantino, torna-se comandante dos seus exércitos e consegue salvar a cidade de ser invadida pelos exércitos Otomanos e de se tornar parte do império Islâmico e ainda empurra os turcos para fora de terras que na realidade histórica pertenceram ao império turco.
   Foi no século XIX que as histórias alternativas ganham alguma receptividade entre o povo, nomeadamente com a publicação de "Histoire de la Monarchie Universelle: Napoléon et la conquête du Monde (1812-1832) de Louis Geoffroy em 1836, na qual Napoleão e o Primeiro Império Francês saem vitoriosos da campanha da rússia em 1811 e, em 1814 invadem a Inglaterra e mais tarde consegue unificar o mundo sob a sua liderança. Em 1895 é publicado o primeiro romance de história alternativa em inglês, "Aristopia" de Castello Holford, onde os primeiros colonos na Virgínia descobrem um recife feito de ouro puro e com ele constroem uma sociedade utópica na América do Norte.
   O século XX e a II Guerra Mundial possibilitaram a criação de inúmeros romances, alguns de propaganda, Ingleses e Americanos, em que os autores descrevem invasões dos seus respectivos países. O mais famoso destes romances é "The Man in the High Castle - O Homem do Castelo Alto", escrito em 1962 por Philip K. Dick, uma história alternativa na qual a Alemanha Nazi e o Japão Imperial ganham a II Guerra Mundial e dividem entre si o mundo. Neste romance surge o conceito de história "Alternativa-Alternativa", já que uma das personagens é autor de um livro em que os aliados vencem a guerra.
   Em outras obras de outros autores, o tema da vitória das forças Nazis e/ou os poderes do Eixo (constituído pelos Nazis, o Japão e a Itália) conquistam o mundo; noutras conquistam a maior parte do mundo, excepto "A Fortaleza Americana" que resiste a todos os cercos e tentativas de conquista. Já em 2002 Philip Roth publica "The Plot Against America - Conspiração contra a América" onde  num 1940 alternativo,  Franklin D. Roosevelt perde a eleição para o seu terceiro mandato como presidente, para Charles Lindbergh, o que mergulha a américa no fascismo e anti-semitismo.
   Também Vladimir Nabokov pegou na ideia de Philip K. Dick e utilizou-a no romance "Ada or Ardor:  A Family Chronicle", de 1969 em que parte duma  América do Norte alternativa é colonizada por Russos Czaristas, que se apercebem que esta é uma espécie de cópia ou negativo do nosso planeta, criando uma espécie de "Contra-Terra" que chamam "Anti-Terra",  e cujo gémeo é a verdadeira "Terra". Divergem não apenas na história, mas também no facto de toda a ciência e a tecnologia em "Anti-Terra" ser baseada na água e não na electircidade.
   As últimas décadas do século XX e o inicio do século XXI viram as histórias alternativas no romance popular ganharem uma maior importância á medida que a própria história mudava também. Entre muitos autores que se dedicaram a este sub-género, Destacou-se Harry Turtledove que, entre vários romances, publicou "Ruled Britannia - O Dilema de Shakespeare" em 2002, em que a "Invencível Armada" espanhola venceu os ingleses  e  ocuparam a Inglaterra da rainha Elizabeth e a William Shakespeare é dada a tarefa de escrever a peça que irá motivar os ingleses para derrotar os seus invasores.
   O cinema e a televisão não ficaram indiferentes a este sub-género de ficção literária. Quanto ao primeiro, os filmes sobre universos alternativos focaram-se mais no individuo do que nos acontecimentos históricos, por exemplo em filmes com "It's a Wonderful Life - Do Céu caiu uma Estrela" (Frank Capra, 1946), "Back to the Future - Regresso ao Futuro" (Robert Zemeckis, 1985-90), "The Butterfly Effect - O Efeito Borboleta" (Eric Bress e J.Mackye Gruber, 2004), "Frequency - Frequência" (Gregory Hoblit, 2000) ou "Inglourious Basterds - Sacanas sem Lei" (Quentin Tarantino, 2009). Quanto à segunda, o conceito de história alternativa também foi explorado em séries como "Dr.Who" (1963), "the Tomorrow People" (1973), ou "Lost - Perdidos" (2004).


    Mesmo tendo a cultura como fonte, por vezes a história e geografia, apesar de alteradas, perdem importância e então a história alternativa e toda a ficção a ela associada, entram nos dominios da fantasia. Mas isso é outra história...


Nota: As imagens e vídeos que ilustram este texto foram retirados da internet



                                         

Comentários

  1. Excelente resenha desses mundos alrternativos. E deixa-me dizer-te que também na banda desenhada há vários registos desses futuros ou mundos alternativos e paralelos. Nomeadamente é conhecida toda uma série de histórias de Super-Heróis que começam precisamente com o título genérico: What If... narrando a partir daí hgistórias centradas em acontecimentos que na realidade nunca existiram... pelo menos daquela forma. Um abraço.

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  2. Excelente matéria. Sou brasileiro, tenho pesquisado muito sobre ficção científica (principalmente em nosso idioma) e considero o Homem do Castelo Alto um marco do gênero de História Alternativa. Estou escrevendo atualmente dois livros de ficção científica, sendo um deles relacionado à viagens no tempo e manipulação genética e o outro de história alternativa onde a Alemanha nazista decide invadir a América do Sul para abrir uma nova frente de batalha, pouco antes do dia D.
    Obrigado pelas informações! Parabéns!

    Fábio Lopes

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